Mozart foi um gênio?
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Portal Revista Infra - quinta-feira, abril 27, 2017
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Mozart foi um gênio?
Artigo traz à discussão o desenvolvimento dos talentos, a especialização dos profissionais e seus respectivos sucessos

O intuito da pergunta, título deste artigo, não é o de questionar a intelectualidade de Wolfgang Amadeus Mozart, e sim de tecer comentários acerca de sua trajetória e "genialidade".

Estudando a jornada deste influente compositor, me projetei aos finais de semana em família, quando temos o desejo de nos desligarmos do mundo exterior, optando por desfrutar do convívio com a natureza.

Recentemente, tivemos uma experiência no rancho de um amigo, onde usufruímos de agradáveis momentos de uma caminhada pela mata. Neste passeio pude observar as árvores pelo caminho, muitas bem pequenas, outras ainda mudas e poucas de grande vigor.

Foi quando identifiquei uma semelhança entre estas árvores e a origem das pessoas de sucesso. O que as torna diferentes? O que fizeram para atingir o ápice de suas carreiras? Será que da mesma forma como Mozart são geniais?

E voltando à observação das árvores, lembrei-me daquelas mais glamorosas, de caules bem robustos e pensei: - A árvore mais alta e vigorosa não ostenta esta qualidade apenas por que se originou de um fruto resistente. Ela também conquistou esta posição porque nenhuma outra bloqueou a luz solar em sua direção, porque o solo à sua volta era fértil e profundo, porque nenhum animal roeu a sua casca, quando ainda era nova e porque ninguém a derrubou.

Da mesma forma são as pessoas bem-sucedidas, elas não se originam apenas de sementes resistentes e sim de vantagens que acumulam o talento, o esforço e a paixão. É a combinação destes fatores que as impulsiona ao sucesso.

Mozart, por exemplo, é famoso por ter começado a compor aos seis anos. No entanto, veja o que escreve o psicólogo Michael Howe em Genius Explained (Desvendando o Gênio): Pelos padrões de compositores experientes, as obras iniciais de Mozart não são excepcionais. As primeiras peças foram todas provavelmente escritas pelo pai, e talvez aperfeiçoadas no processo.

Muitas das composições de infância de Wolfgang, como os primeiros sete concertos para piano e orquestra, são em grande parte arranjos para obras de outros músicos. Dos concertos que só contêm música original de Mozart, o mais antigo, agora considerado uma obra-prima (No 9, K. 271), só foi criado quando ele tinha 21 anos.

Àquela altura, Mozart vinha compondo concertos havia 10 anos. O crítico musical Harold Schonberg vai ainda mais longe. Mozart, ele argumenta, teve um "desenvolvimento tardio", pois só produziu suas maiores obras depois de mais de 20 anos de prática.

E é sobre esta prática que venho trazer à discussão o desenvolvimento dos talentos, a especialização dos profissionais e seus respectivos sucessos.

Tomando por base a experiência da jornada de Mozart, o sucesso é uma combinação de talento e preparação.

O problema com essa forma de pensar é que, quanto mais analisarmos as carreiras dos talentosos, menor parece o papel desempenhado pelo talento e maior se mostra a importância da preparação.

Controversa está questão não é verdade?

Segundo a tese do escritor Malcolm Gladwell, o tempo necessário para se atingir com maestria a especialização em uma atividade é de, no mínimo, 10 mil horas. A tese de Gladwell firmou suas raízes em um estudo do Nobel de economia Herbert Simon e do professor de psicologia William Chase. Eles notaram que campeões de xadrez, passavam entre 10 mil e 50 mil horas estudando o tabuleiro (e inúmeras posições de peças) antes de se tornarem grandes mestres.

Será que, utilizando-se deste contexto, a prática leva à perfeição?

Nestes dias de busca por um diferencial competitivo, nos obrigamos a colecionar diplomas, a nos aprofundarmos, cada vez mais, em estudos de nossas áreas de atuação e a nos cercarmos de profissionais que julgamos serem os "gurus" do mercado e, com isso, nos sentirmos mais aptos a sobrevivermos à concorrência.

No entanto, da mesma forma como o gênio Mozart necessitou de uma jornada de anos de prática até ser tornar um grande compositor, pergunto: - Quem te ensinou? - E quem ensinou a quem te ensina? - Já teve a oportunidade de buscar informações acerca da expertise daqueles que você intitula como seu "guru"? - Qual foi a jornada que nossos "mestres" trilharam?

São perguntas que deveremos responder na busca incessante para atingirmos o sucesso e a excelência profissional.

Estamos tão preocupados em acumular certificações que nos esquecemos do conteúdo que nos é ministrado.

Não tenho o intuito de causar polêmica, apenas de ressaltar a aplicabilidade do conhecimento que temos buscado e sua efetividade em nossas atividades cotidianas.

Afinal, para que realmente possamos ser profissionais de sucesso em qualquer área de atuação e, efetivamente, "árvore que dá sombra", faz-se necessário agregarmos: conteúdo acadêmico, experiências cotidianas e pessoais, e assim como na tese de Malcolm Gladwell, ratificada pelo exemplo Mozart, uma jornada de 10 mil horas, dedicadas com muita paixão, para que possamos obter especialização.

​​Mayb Ferreira é cofundadora Ciclo do Conhecimento. mayb.ferreira@ciclodoconhecimento.com


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Mayb Ferreira - Postou em 06/04/2017
Juiz de Fora - MG | mayb.ferreira@ciclodoconhecimeto.com

Agradeço a Lea Lobo e a equipe da Revista Infra, pela publicação do artigo.


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