Energia Elétrica Mocinha ou vilão dos grandes empreendimentos?
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Portal Revista Infra - terça-feira, junho 27, 2017
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Energia Elétrica - Mocinha ou vilão dos grandes empreendimentos?
Reduzir custos com energia e ganhar competitividade. Na estratégia, planejamento, alta tecnologia e criatividade fazem a diferença!

Por Camila Biajante

 

Restaurante do Novotel Morumbi, em São Paulo/SP - Grupo Accor

Dados indicam que quase 70% da população do mundo viverá em cidades até 2050. As construções predominam nas paisagens urbanas e são responsáveis por quase 40% do consumo de energia (incluindo 60% do consumo de eletricidade) e de 12% do uso de água.

Projetos arquitetônicos, práticas de construção e novas tecnologias já estão disponíveis para reduzir o uso de energia e de recursos das construções, proporcionando às pessoas uma vivência em ambientes com ar mais limpo, casas e espaços de trabalho mais confortáveis, e contas de serviços públicos mais baratas.

Além dos benefícios para as pessoas e para o planeta, a melhoria na eficiência energética das construções é um ganho para os gestores da cidade: para cada US$ 1 investido em eficiência, há uma economia de US$ 2 em novas usinas e nos custos de distribuição de energia elétrica.

Matriz energética brasileira

Veja a participação de cada fonte de energia no País (representatividade de cada fonte em % na potência total instalada):

• Hídrica: 61,3%.
• Fóssil (carvão mineral, gás natural, petróleo e outros fósseis): 17,4%.
• Biomassa (agroindustriais, biocombustíveis líquidos, floresta, resíduos animais, resíduos sólidos urbanos): 8,87%.
• Eólica: 5,6%.
• Importação: 5,4%.
• Nuclear: 1,3%.
• Solar: 0,0152%.

Fonte: Aneel.

De acordo com Alan Satudi, Gerente de Produtos da Schneider Eletctric Brasil, o custo médio da energia elétrica para a indústria brasileira já chega a R$ 459 por megawatt-hora (MW/h). A tendência para 2016 é de aumento, devendo atingir R$ 493 o MW/h. O Executivo afirma, por exemplo, que, a energia elétrica nos Data Centers dos empreendimentos ainda é vista como vilã. E por isso faz-se necessário a observação de três pontos: 1. entender o perfil de consumo do Data Center; 2. desenvolver sistemas modulares, cuja capacidade aumenta ou diminui de acordo com a necessidade do cliente; e 3. investir em sistemas de free cooling, tecnologia que faz com que a potência de aparelhos de ar condicionado se “ajuste” à temperatura externa, o que, consequentemente, reduz o consumo e os custos com energia.

De acordo com o relatório produzido pelo Conselho de Lisboa, Ecofys e Quintel Intelligence, no ano passado, cerca de 6 milhões de empregos foram criados no mundo inteiro graças a iniciativas de eficiência energética. O estudo também classifica os países de acordo com sua produtividade energética (produção econômica por unidade de energia consumida).

O relatório também destaca que aproximadamente 98% da energia é desperdiçada e apenas um modesto aumento da eficiência energética através da implementação de melhorias nos edifícios, ajudaria a impulsionar a economia e gerar mais empregos, além, claro, de contribuir para o meio ambiente.

Eficiência x Sustentabilidade

Um edifício inteligente, de acordo com o National Institute of Building Sciences, usa a rede e a tecnologia para controlar e monitorar aspectos dos sistemas elétrico, hidráulico e mecânico. A tecnologia, como a de gestão de ativos, conhecida como EAM, ajuda a atuar preventivamente e a evitar falhas, além de apresentar melhor controle dos custos e manutenção.

Segundo o Balanço Energético Nacional (BEN) de 2015, do Ministério de Minas e Energia, a diversidade e a intensidade no uso dos recursos naturais renováveis no Brasil é forte e atinge a margem de 41% frente a média mundial de 13%. O mesmo relatório mostra que é preciso atenção sobre a origem do consumo no País, que apresentou retração de 2,1% nos gastos de energia em relação a 2014, no entanto, as edificações brasileiras foram responsáveis por, praticamente, 50% do consumido, contando com setores industrial, público, residencial, comercial e de serviços. Nos EUA, esse número foi de 41% no ano passado, segundo a U.S. Energy Information Administration (EIA).

De acordo com o Diretor de Produtos da Infor Latam, Lisandro Sciutto, “há um amplo espaço para otimizar os recursos energéticos nos edifícios, pois esse é um gargalo quando se fala do segmento corporativo, uma vez que 20% da energia consumida em construções comerciais é desperdiçada, e elas representam, pelo menos 80% dos custos operacionais e de manutenção para CEOs e CFOs. Por isso, a boa gestão do ativo impacta não apenas a margem de lucro, mas a responsabilidade social de uma empresa. Além de ser um desafio constante para o País com a crise energética e hidráulica enfrentada no último ano”.

A tecnologia de EAM quando conectada a sensores e a internet das coisas oferece informações em tempo real sobre os sistemas AVAC (aquecimento, ventilação e ar condicionado), hidráulico e elétrico, conectando os sistemas de gestão do edifício com medidores de energia e gerando informações precisas e em tempo real para melhor gestão do empreendimento.

“É uma integração que automatiza o envio das informações e define parâmetros para controle da gestão dos ativos prediais – que são muitos. É uma forma de munir os gestores de informações sobre o sistema de energia e ter acesso ao que quase ninguém enxerga, como a origem das falhas. É possível saber, por exemplo, se o aumento do consumo tem origem no ar condicionado de uma unidade que está operando fora do tempo e do padrão previsto, ou, como na medicina, agir de forma preventiva, mostrando quando será necessário realizar a manutenção para evitar um colapso”, explica Sciutto.

Livre mercado

O mercado livre de energia no Brasil vem ganhando novos adeptos com o tempo. Entretanto, é no setor industrial que esta realidade predomina. E, mesmo assim, não em sua totalidade, além de trazer em si alguns problemas regulatórios que vêm afetando a competitividade de uma parte da indústria, segundo o Presidente de Tradener, Walfrido Avila, que lidera o processo de comercialização de energia brasileira para a Argentina.


Luis Gameiro, Diretor da Tradener

De acordo com o Executivo, o País tem potencial para economizar até R$ 20 bilhões caso a abertura do sistema de livre energia se dê para todos os consumidores, incluindo os comerciais e residenciais. Para Luis Gameiro, Diretor da Tradener, otimizar o uso da energia elétrica em grandes empreendimentos, ainda é um assunto delicado, “porque a cultura sempre foi deixar a ‘conta de luz’ para o departamento financeiro pagar, sem qualquer gerenciamento”, diz. Gameiro afirma ainda que: “Com as tarifas de energia nas alturas, o assunto de otimização do uso, bem como procurar um menor custo por MW/h, está mudando esse ambiente de tal forma que tivemos uma quantidade expressiva de consumidores migrando para o mercado livre no presente ano”.

O futuro da energia solar

Segundo pesquisa da Universidade de Oxford, 20% da energia usada no mundo será solar até 2017. Em 2014, apenas 0,3% de toda a energia consumida no mundo era proveniente do Sol. O custo para a captação é uma das principais dificuldades para essa fonte emplacar – pelo menos no Brasil. O País já realizou três grandes leilões específicos para energia solar nos últimos dois anos, mas ainda é uma alternativa cara.

O objetivo dos leilões é implantar uma indústria de equipamentos no Brasil que permita redução de custos. A energia solar é o maior recurso renovável de que o País dispõe e deverá se constituir a área de maior crescimento nos próximos anos, devido à facilidade e à velocidade de implantação, comparada com outros modelos de geração. A hidroelétrica, a eólica e a biomassa são fontes a serem exploradas, mas a solar demonstra ser a mais promissora, não só no Brasil como no mundo.

Em grandes empreendimentos é importante saber o quanto a iluminação representa do consumo total. Sistemas de ar condicionado, escadas rolantes e elevadores são itens que têm um consumo muito maior do que lâmpadas. Já existem plataformas digitais que fazem toda a gestão da eficiência, reduzindo o custo com funcionários e grandes equipamentos. O ideal é que isso seja integrado também com outras ações, como o uso de painéis solares e reuso de água, para que impactem em benefícios reais para o empreendimento como um todo.

O fato é que os painéis solares, além de gerar energia sustentável, têm a vantagem de dar mais autonomia para os proprietários, que não precisam mais depender da rede de distribuição elétrica para abastecer sua casa. A questão é que em dias ensolarados os painéis podem gerar mais energia do que a casa precisa.

Em Nova York, uma experiência vem acontecendo no bairro do Brooklyn: o projeto TransActive Grid permite que cinco casas com painéis solares comercializem seu excedente de energia para outros cinco vizinhos de forma totalmente autônoma, sem ter de passar por nenhuma empresa intermediária. Tudo começa na rede de energia. Normalmente, as casas abastecidas por painéis solares estão conectadas à empresa local de energia. Quando sobra eletricidade, esse excedente volta para rede e o dono da casa ganha um desconto na conta de luz. O que o TransActive Grid faz é instalar sensores que calculam exatamente quanta energia extra está sendo produzida e impede que ela volte para o sistema geral, ficando na minirrede que os vizinhos dividem.

Por meio de uma interface virtual os excedentes em créditos de energia podem ser comprados pelos vizinhos usando uma moeda virtual. As transações funcionam da mesma forma que o bitcoin – são baseadas em blockchain, um tipo de livro de registros virtual à prova de fraudes. O Brooklyn Microgrid tem potencial para crescer bastante – segundo o mapa do projeto, há mais de 20 casas com painéis solares no bairro. A prefeitura de Nova York apoia o projeto, porque um dos objetivos é que as casas se tornem menos dependentes da rede central e tenham alternativas em casos de apagão.

CASES DE SUCESSO

Confira a seguir alguns cases de sucesso e inspire-se:

Rio Ave Corporate Center

Atuando há mais de 20 anos no mercado, a Acta Administração Especializada realiza a implantação e gerenciamento de operações condominiais residenciais e empresariais de grande, médio e pequeno porte. “Realizamos um estudo profundo de viabilidade financeira utilizando como base as nossas despesas com lâmpadas convencionais que necessitam de reatores e as que não necessitam de reatores, e possuem maior potência de luminosidade”, comenta Valdeir Bezerra, Administrador na Acta.

Exemplo recente e que realmente se tornou um case de sucesso foi o complexo Empresarial Rio Ave Corporate Center. “Avançamos com o nosso projeto de redução com a implantação de 84 placas solares (módulos fotovoltaicos) na cobertura da torre Isaac Newton que compõem o complexo. Essas placas solares e inversores geram uma energia mensal de 2.850 kWh/mês e essa energia é utilizada para alimentar algumas áreas comuns dos condomínios. Com todo esse procedimento e ação chegamos a reduzir as nossas despesas com energia elétrica na ordem de 8,9% da tarifa mensal”, ressalta Bezerra.

No mês de agosto, a empresa completou um ano de geração de energia fotovoltaica na torre Isaac Newton, chegando ao acumulado de geração de energia provindo do sol de um total de 35.904 kWh, que daria para fornecer energia elétrica para mais de 500 casas populares por um mês; manter 1 TV ligada por 10.397 dias; e alimentar 276.019 computadores por 1 ano.


Valdeir Bezerra, Administrador na Acta, nas instalações do complexo Empresarial Rio Ave Corporate Center - Recife/PE

De acordo com o Administrador, a redução das despesas trouxe e continua trazendo benefícios financeiros, uma vez que toda a questão operacional foi preservada, zelando pela qualidade e funcionalidade do empreendimento, sem perder o alto padrão de gestão. “Fomos bastante cautelosos, seguindo as normas de luminosidade e segurança para cada ambiente; respeitando sempre o caderno técnico de cada equipamento nosso instalado”, ressalta Bezerra.

Os planos da empresa é continuar avançando com esse projeto de redução em outros condomínios. Hoje todas as cinco torres do complexo empresarial Rio Ave Corporate Center e alguns prédios administrados pela Acta Administração Especializada já estão com lâmpadas de LED em todas as suas áreas comuns e sensores de presença nos pátios de estacionamento e escadas dos condomínios.

“A nova etapa do nosso projeto contemplará a realização da instalação de mais uma planta de geração de energia fotovoltaica que agora será em outra torre do complexo, a Albert Einstein. Essa nova planta será instalada em uma área de aproximadamente 240 m² existente na cobertura do condomínio, e contará com 120 placas solares (módulos fotovoltaicos) que produzirá até 4.380 kWh/mês. Essa geração de energia limpa nos leva a um número estimado de redução na fatura de energia elétrica deste condomínio em torno de 18% no mês”, estima o Executivo.

Segundo Bezerra, os fatores políticos são favoráveis quando o assunto é eficiência energética. E tende a melhorar cada vez mais para ampliação do sistema de geração de energia limpa. “O governo enxergou uma grande oportunidade, já visualizada em algumas décadas passadas em países da Europa que desafogaram suas usinas termoelétrica e hidrelétricas com fontes de geração de energia limpa, como é o caso da energia fotovoltaica e eólica. Hoje a Aneel diante da sua Resolução Normativa n. 482 estabelece condições gerais para acesso de microgeração e minigeração que passam entre os sistemas de distribuição de energia elétrica e o de compensação de energia elétrica”, destaca.

Shopping Neumarkt

Em grandes empreendimentos comerciais, como shopping centers, o consumo de energia elétrica é uma das principais despesas. Embora muitos acreditem que a iluminação seja responsável pela maior parcela deste consumo, em média, 61% da energia consumida em shopping centers é utilizada por motores elétricos no acionamento de diversos equipamentos.

O Neumarkt Shopping, do grupo catarinense Almeida Júnior que é líder no segmento de shopping centers no sul do Brasil, está implantando mais um projeto de eficiência energética para modernização da força motriz, redução de custos operacionais e impactos ambientais. “Em alinhamento com o projeto “Visão do Futuro”, do grupo Almeida Junior, que propõe revisar todos os procedimentos para torná-los mais eficientes, identificamos a oportunidade de modernizar nosso parque de motores e automação”, afirma Arlindo Ludwig, Gerente Operacional do Neumarkt Shopping e responsável pelo projeto de eficiência energética.

O investimento, financiado pelo BNDES e comercializado pela revenda da WEG, a Corrêa Materiais Elétricos, que prevê redução de até 50% de energia em equipamentos como torres de resfriamento e sistema de insuflamento de ar, levando a uma economia de 17% de energia em toda a instalação com Taxa Interna de Retorno (TIR) de 51,45%. Além de uma redução de 22% no consumo de água das torres. “É um investimento de alta atratividade, visto que a economia de energia com a troca dos motores será maior que o valor da parcela a ser paga no financiamento” destaca Leandro Ávila, chefe do CNEE WEG (Centro de Negócios de Eficiência Energética).


O Neumarkt Shopping está implantando mais um projeto de eficiência energética para modernização da força motriz, redução de custos operacionais e impactos ambientais

Os novos motores das linhas de alta eficiência W22 IR3 Premium e W22 IR4 Magnet são controlados por inversores de frequência de alta performance das linhas CFW11 e CFW701 HVAC e acionarão torres de resfriamento, sistemas de exaustão, sistemas de insuflamento de ar, ventiladores, bombas e cisternas. “O cliente terá uma planta modernizada, com tecnologia de ponta para economizar energia, reduzir custos de manutenção, aumentar a vida útil dos equipamentos e melhor controlar os processos do shopping. Além disso, o uso dos inversores de frequência fará com que seja utilizada somente a energia necessária para o funcionamento de cada equipamento, eliminando qualquer desperdício”, afirma Ávila.

“Os mais de 100 motores antigos que estão sendo substituídos por novos de alta eficiência tinham até 23 anos de uso. Essa troca diminuirá significativamente nossa despesa com manutenção e reduzirá 490 mil kWh/ano em energia elétrica”, relata Ludwig. “Além do benefício financeiro, estamos com o sentimento de dever cumprido sob o aspecto ambiental. O Neumarkt possui dezenas de iniciativas preocupadas com o meio ambiente, mas essa é uma das mais significativas e prova que, com dedicação, eficiência e parceria entre as empresas envolvidas, temos um resultado onde todos têm o mesmo benefício: o financeiro e o de realização profissional e social – a certeza de estarmos fazendo nosso melhor para as próximas gerações”, enfatiza.

Dentre as ações sustentáveis adotadas pelo Neumarkt Shopping, desde a sua fundação em 1993 até hoje, estão: o aproveitamento da iluminação natural com telhas de vidro translúcidas; a utilização de lâmpadas LED e um programa para reciclagem dessas lâmpadas; a reutilização da água pluvial no ar condicionado, vasos e mictórios; o sistema de ar condicionado com termoacumulação; o programa de gerenciamento de resíduos; o uso de gás natural; a utilização de energia elétrica proveniente de pequenas centrais hidroelétricas com redução de 3.520 ton. de CO² nos últimos 11 anos; o selo ambiental FAEMA (Fundação do Meio Ambiente da Prefeitura de Blumenau); e o case ambiental ganhador do Prêmio Expressão de Ecologia da editora Expressão.

AccorHotels

A Accor possui uma área específica chamada Maintenance & Property, onde busca permanentemente por novas tecnologias de eficiência energética. Para a, por exemplo, economia de água, como redutores de vazão com alta eficiência, que mantém o mesmo conforto e qualidade do banho (ducha 7 l/min e torneira 3 l/min), e duchas com vazão de 6 litros por minuto – normalmente as torneiras com duchas convencionais seriam de 12 l/min e torneira de 6 l/min. Algumas das tecnologias implantadas para economia de energia são as bombas de calor para sistema de aquecimento de água (gerando uma economia média de 15% na conta de gás); os equipamentos para energia harmônica, gerando uma economia média de 15% na conta de energia; a energia mercado livre (economia/redução geral média de 15% no valor da conta de energia); o estudo de inserção das placas voltaicas; o sistema de ar-condicionado VRV (inteligente): mais de 15% de economia no consumo de energia quando comparado aos sistemas convencionais; e as lâmpadas LEDs (redução de 40% no consumo, quando comparadas às lâmpadas convencionais).

De acordo com Paulo Mancio, SVP Technical, Construction and Design AccorHotels South America, o maior desafio na implantação dessas tecnologias é definir precisamente o tipo de equipamento a ser utilizado para que atenda a qualidade e conforto dos hóspedes e que, além disso, tenham uma boa assistência técnica para funcionar o tempo que o hotel precisa, que é dos mais longos.



Apartamento do Pullman Vila Olímpia em São Paulo/SP - Grupo Accor

As medidas adotadas de eficiência influenciam no dia a dia da empresa. “Temos um monitoramento on-line/controle de consumo de energia por apartamento e água por hóspede, e nossa meta é cada vez mais reduzir esses consumos para que nossos hotéis possam ser mais sustentáveis e perenes. Na minha opinião, os gestores dos hotéis estão cada vez mais envolvidos e nos apoiando em nossos planos de ações que trazem economias. Por outro lado, eles também são cobrados pelos resultados finais do hotel. A parte mais delicada desse processo é tomar os devidos cuidados ao definir as especificações dos equipamentos, a qualidade e a idoneidade da empresa fornecedora, bem como seu desempenho na assistência pós-venda (assistência técnica)”, ressalta.

“É fundamental desenvolver bem os projetos técnicos e as especificações dos equipamentos. Os cálculos de economia devem já estar representados e pensados no transcorrer dos projetos técnicos. Quando o hotel estiver em operação, faremos o comissionamento e o acompanhamento dos resultados, aliás, após a instalação e a construção, os sistemas permitem apenas ajustes e não mais que isso”, afirma o Executivo.

Planejamento é algo que acompanha permanentemente os empreendedores. E, cada projeto, requer uma determinada solução. “Em função das diversas condições climáticas, econômicas e culturais, para cada região do Brasil é preciso pensar em soluções energéticas específicas. Podemos citar o exemplo das bombas de calor que são extremamente eficientes no Centro-Oeste e Norte do País, porém, não têm a mesma eficiência na região Sul”, esclarece Mancio.

Escritório da Laguna

A Laguna Construtora e Incorporadora conquistou o mais alto nível de certificação do LEED (Leadership in Energy and Environmental Design), maior selo verde ambiental para edificações. O escritório, localizado no Edifício Iguaçu, em Curitiba (PR), conseguiu o LEED Platinum para salas e espaços comerciais (LEED CI) com 89 pontos, número máximo que um empreendimento já conseguiu até o momento.

Com essa pontuação, o escritório se tornou um dos mais sustentável do Brasil, além de ser a primeira empresa do Sul do País a conquistar o LEED CI Platinum. Além do escritório, que fica no 21º andar, o edifício – também construído pela Laguna – é certificado com o LEED nível Gold.


Edifício Iguaçu, onde está localizado o escritório da Laguna

A Laguna conquistou o título, que é baseado em critérios de sustentabilidade, apresentando indicadores superiores aos encontrados no mercado. Segundo João Vitor Gallo, Engenheiro Ambiental e Coordenador de Projetos na Petinelli Consultoria, responsável pelo processo de certificação LEED da Laguna, diz que foram levados em conta a eficiência energética e o uso de materiais e recursos:

“O sistema de iluminação do escritório é eficiente e inteligente, com 48,5% de economia, resultado superior ao padrão de referência do próprio LEED. O sistema de ar condicionado também é econômico, com controle de temperaturas e termostato que se ajusta a cada ambiente”, explica Gallo. Os reservatórios dos vasos sanitários e dos banheiros são abastecidos pela água da chuva e os circuitos elétricos foram separados no quadro, diferenciando as cargas de tomadas, ar condicionado e de iluminação, o que facilita o monitoramento e o controle individual do consumo de energia.

Para André Marin, Diretor de Incorporação da construtora, a certificação reconhece a empresa como referência em sustentabilidade. “A Laguna se preocupa com a questão ambiental em todos os seus empreendimentos, desde o abastecimento de água até os resíduos das obras. Nosso mote é sempre aliar a sustentabilidade econômica e social, sem deixar de lado a qualidade e conforto. Toda a sociedade ganha”, declara.

O sistema de iluminação é eficiente, com lâmpadas de baixo consumo e sensores dimerizáveis com DALI – última geração de gerenciamento de luz por meio de softwares que controlam a quantidade de iluminação que cada grupo de luminárias deve fornecer por meio da leitura da luz natural existente no local. Dessa forma, o sistema de iluminação alcançou 48,5% de economia, desempenho superior ao padrão de referência estipulado pelo LEED; os circuitos elétricos foram separados no quadro, diferenciando as cargas de tomadas, iluminação e HVAC, para assim monitorar e controlar individualmente o consumo de energia.

O sistema de ar condicionado é o VRF com filtragem. O modelo é desenvolvido para edifícios comerciais de grande porte e opera individualmente por ambiente. Isso trouxe 43,9% de economia de energia quando comparado ao padrão de referência estipulado pelo LEED. Além disso, foram fornecidos controles de temperatura para vários setores de ocupação.

Senac Portão

A RAC Engenharia, empresa focada em prestação de serviços de engenharia com 15 anos de atuação em execução e gerenciamento de obras no segmento comercial, corporativo, hospitalar e instituições financeiras em vários estados brasileiros, e que conta atualmente com 120 colaboradores diretos, destaca o projeto da primeira escola com a certificação LEED Platinum do País, em Curitiba.

A certificação LEED Platinum agrega as mais altas pontuações em relação às construções sustentáveis, e tem como característica o uso inteligente de recursos naturais, a otimização dos materiais e a eficiência de equipamentos instalados na edificação.

O Diretor da RAC, Ricardo Cansian, ressalta que para alcançar este alto nível de sustentabilidade é primordial implantar esse conceito desde a concepção do projeto até o acabamento da obra. “Além de reduzir os impactos ao meio ambiente, o uso de tecnologias inovadoras e mesmo de soluções simples para a racionalização do consumo na unidade de ensino do Senac Portão vão gerar economia que pode chegar a até 52% em energia elétrica e a até 42% em consumo de água”, destaca.


Senac Portão em Curitiba/PR é certificado LEED Platinum

O principal item para essa redução de custos é a geração de energia através de 228 placas solares instaladas na cobertura da edificação, totalizando uma área de 370 m² de painéis fotovoltaicos, sendo essa até o momento a maior instalação junto a Copel, conforme registro de micro e mini geração da Aneel. Cansian explica que o sistema vai funcionar da seguinte maneira: os painéis vão captar a radiação solar e transformar em energia que vai abastecer a edificação. Quando o prédio não estiver sendo utilizado ou tiver consumo mais baixo, seja em feriados ou finais de semana, a energia produzida será injetada na rede elétrica da Copel gerando créditos ao Senac, que serão abatidos na fatura mensal. “Estimamos que o retorno sobre investimento de todo o sistema se dará em aproximadamente 7,5 anos”, revela.

O Diretor explica que essa economia se dará não apenas pela geração de energia, mas também pelo uso inteligente da iluminação, que dispõe de 2,5 mil lâmpadas de LED com fotocélulas instaladas na área externa (em fachadas, postes e balizadores externos) e nas próprias salas de aula, que ainda contam com sensores de iluminação que desligam automaticamente após um período programado ou são acionadas quando identificado algum usuário nas instalações do prédio.

“O maior desafio de um projeto como esse é fazer o cliente acreditar que o estudo da eficiência energética pode reduzir no curto e médio prazo o valor da obra por meio do uso de equipamentos mais eficientes e também da diminuição do coeficiente de majoração considerado em projetos, seja de iluminação ou ar condicionado. Depois de passada essa fase inicial, o cliente vira o maior incentivador de implantação dessas soluções”, revela o Diretor da RAC.

O Gerente de Projetos da Petinelli Consultoria, empresa que liderou os trabalhos de consultoria ambiental do empreendimento para a certificação, André Belloni, ressalta ainda que as salas de aula foram projetadas de modo que sempre haja a possibilidade do uso da ventilação natural, promovendo conforto térmico no maior número de horas durante o ano e diminuindo a necessidade de uso do ar condicionado.

Cansian lembra ainda que, para se habilitar à certificação LEED Platinum, a compra de materiais e a gestão do canteiro de obras são fundamentais, e para isso foram criadas equipes multidisciplinares de monitoramento e elaboração de relatórios mensais de controle. Para os materiais, foram priorizados os com baixa emissão de poluentes, como vernizes e colas, e utilizadas apenas madeiras com certificados ambiental e de manejo.

Outro fator importante na hora do planejamento é levar em conta a localização do empreendimento. “Dependendo da região em que o empreendimento se encontra, pode se ter uma oferta melhor do recurso natural pretendido, como a energia eólica no Nordeste do País, por exemplo. Em relação à produção por meio de energia solar, já derrubamos o mito que no Sul e Sudeste isso é inviável. Por incrível que pareça, a diferença em locais do Sul em relação ao Nordeste é de apenas 15% de eficiência na geração”, explica o Diretor da RAC.

O empresário defende que é possível implementar empreendimentos ambientalmente corretos, sem onerar o custo da construção. “Você até pode aceitar comprar produtos de valor mais elevado desde que a tecnologia oferecida gere economia do outro lado. É possível fazer essa conta e chegar próximo de zero trabalhando com materiais mais eficientes e já concebendo o prédio para ser sustentável. Em outras palavras, basta planejamento e disposição”, opina.

Para André Belloni, o segmento de construção sustentável tem evoluído, mas não basta apenas reduzir o consumo. “O futuro é pensar em prédios autossuficientes, com zero consumo em energia e água. Não basta racionalizar, é preciso buscar soluções para que os edifícios não gerem impactos ambientais”, opina.

A unidade de ensino Senac Portão, projetada pelos Arquitetos Eduardo Almeida e André Leite, tem 3.174,66 m² de área construída, num total de cinco andares, mais pavimento técnico. A estrutura compreende um auditório/lanchonete, sala de atendimento, 15 banheiros (masculino, feminino e para pessoas com deficiência), dois vestiários com chuveiros, uma biblioteca, duas salas de estudo, área administrativa para 777 funcionários, dez salas de aula com capacidade para 40 alunos cada, quatro salas de informáticas com capacidade para 24 alunos cada e um laboratório de óptica. O quarto pavimento é todo destinado ao Ensino à Distância (EaD), com salas administrativa e para o corpo técnico. O empreendimento ainda é composto por guarita e casa de máquinas.

Museu do Amanhã

A moderna e arrojada construção do recém-inaugurado Museu do Amanhã, projetado pelo renomado Arquiteto espanhol Santiago Calatrava e que marca a revitalização urbana da zona portuária do Rio de Janeiro, traz em sua estrutura os vidros de controle solar da Guardian, uma das maiores fabricantes de vidros e espelhos do mundo.

Produto de alto desempenho, aplicado em perfis de alumínio, o vidro da Guardian permitiu a valorização estética do empreendimento, devido às grandes aberturas em esquadrias retangulares e triangulares nas fachadas e faces laterais. Nesse projeto, foram utilizados 3.800 m² do vidro Coater laminado, com Sunguard Neutral 67 na base ExtraClear, importados de uma das unidades da Guardian na Europa. A Guardian do Brasil também deu o apoio técnico às empresas envolvidas na obra.

Além do efeito estético, o vidro propicia a entrada de luz natural no interior da construção, apresentando um índice de transmissão luminosa de 68,5%; de reflexão externa de 12,9%; de reflexão interna de 11,4%; e um fator solar de 61,1%. O produto bloqueia 39% do  calor originado pelos raios solares, garantindo    maior  conforto térmico aos visitantes do museu.


Tecnologia em vidro bloqueia 39% do calor originado pelos raios solares, garantindo maior conforto térmico aos visitantes do Museu do Amanhã no RJ

Com mais de 15 mil m² de área construída, o Museu do Amanhã é uma iniciativa da Prefeitura do Rio de Janeiro, concebido e realizado em conjunto com a Fundação Roberto Marinho, tendo o Banco Santander como patrocinador máster. Além dos vidros da Guardian, o projeto conta com diversos diferenciais para a preservação do meio ambiente, entre eles, a utilização da água da baía da Guanabara para resfriamento da temperatura no interior do prédio, as estruturas móveis na fachada que, além de atuarem como brises, servem de base para as placas fotovoltaicas que captam a energia solar.

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