Lições de uma tragédia
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Portal Revista Infra - sexta-feira, março 22, 2019
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Lições de uma tragédia
Especialista aponta os riscos da automedicação nos edifícios

*Flávio Figueiredo

Há algumas semanas, a notícia da explosão ocorrida em um apartamento em São Conrado, bairro da cidade do Rio de Janeiro, ganhou destaque no noticiário nacional.

O evento, de grandes proporções, causou destruição em vários apartamentos do mesmo edifício e o proprietário da unidade onde ocorreu a explosão ficou gravemente ferido e veio a falecer dias depois.

Conforme noticiado, os peritos do ICCE – Instituto de Criminalística Carlos Eboli – concluíram que a explosão teve origem por conta do gás que vazou para o interior do apartamento em razão de deficiência na instalação de “rabicho” que conectava fogão ou aquecedor à tubulação de gás e que teria sido substituído pelo próprio dono da unidade, pouco antes da ocorrência.

Embora muitas vezes não venham para as manchetes dos sites, dos jornais ou das televisões, acidentes domésticos dessa natureza são muito mais frequentes do que se imagina.

Reparos que parecem simples podem se transformar em fontes poderosas de tragédias, que podem acontecer imediatamente, ou demorar algum tempo para ocorrer.

Vazamentos devidos a deficiências em reparos em instalações de gás, sobrecargas ou falta de isolamento em reparos elétricos inadequados ou mal executados, dentre outros problemas, têm muito mais chance de ocorrer quando os trabalhos são feitos por quem não tem experiência.

Embora a tentação de executar certas intervenções seja grande – principalmente por parecerem muito simples – é necessário sempre buscar quem efetivamente tenha conhecimento, exigindo que sejam usados materiais de qualidade e que os reparos sejam devidamente testados.

Ainda assim, é recomendável que o desempenho dos reparos mais delicados seja avaliado durante algum tempo depois de concluídos, para se assegurar que não há riscos.

Sobre este assunto, confira a entrevista com Flávio Figueiredo, Conselheiro do IBAPE/SP – Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia de São Paulo e Diretor da Figueiredo & Associados Consultoria.

1. Quais os perigos da "automedicação" nas edificações?

As manifestações patológicas não ocultadas podem funcionar como indicadores das reais condições de segurança das edificações, além de fornecerem pistas para o diagnóstico de sua origem. Essas são duas importantes razões para que não sejam maquiadas com o uso materiais e procedimentos inadequados.

2. Quais os acidentes mais comuns?

Os acidentes, em sua maioria, não são imediatos, não ocorrem no momento em que são realizadas as intervenções. Eles podem acontecer devido à deterioração precoce na edificação ou em seus sistemas. Casos comuns são os danos às instalações elétricas, que podem causar curto-circuitos, queima de equipamentos eletrônicos e, até mesmo, incêndios em móveis, cortinas e cômodos inteiros. Também são comuns as intervenções indevidas no sistema hidráulico. Em muitos casos, os remendos feitos em tubulações estouram e resultam na inundação do imóvel.  Uma intervenção grave é retirar ou alterar paredes em cômodos, podendo causar sérios danos estruturais e até o desabamento da edificação. Todos esses exemplos causam prejuízos materiais e pessoais, que podem ser muito sérios, dependendo da imprudência de quem realiza a intervenção inadequada.

3. Qual o caminho correto a ser seguido?

Sempre contar com a orientação de profissionais habilitados.

4. Não existe alguma fiscalização?

Como estamos falando de pequenas intervenções, é raríssimo que ocorra fiscalização, como acontece em grandes obras, pelo poder público. O que deveria haver nos edifícios é uma fiscalização efetiva nas unidades, por parte dos responsáveis pelo condomínio.

5. Qual (is) o (s) tipo de "gambiarra" mais comum nas edificações?

• Trocar disjuntores por outros com maior amperagem, quando os originais desarmam com frequência em razão de excesso de carga;

Esconder trinca ou bolor com papel de parede;

• Aplicar argamassa em peças de concreto armado, sem critério técnico definido, para encobrir armaduras oxidadas;

• Ocultar marquises ou outras estruturas em concreto armado deteriorado atrás de belas fachadas decorativas, em vidro ou alumínio, por exemplo;

• Emendar tubulações com fitas adesivas ou massa plástica.

6.  Essas "gambiarras" são um barato que pode custar muito caro?

Sim. Essas providências podem até afastar dos olhos manifestações patológicas não agradáveis, mas não eliminam suas origens. Muitas vezes as patologias são até agravadas ou continuam a se desenvolver de forma oculta e, de um momento para o outro, se manifestam com intensidades tão relevantes a ponto de levar a construção à ruína.

7.  Por quais motivos essas pessoas não chamam um profissional especializado para fazer o serviço?

A primeira razão é achar que são autossuficientes. Para resolver pequenos problemas, as pessoas acreditam que não precisam de orientação de especialistas. São razões culturais, da mesma forma que acontece com a automedicação. A pessoa está com uma dor na perna e logo vai à farmácia para comprar anti-inflamatórios, sem saber os riscos que corre tomando aquele remédio sem a indicação de um médico. Outra razão é que, na maioria das vezes, as pessoas não entendem a gravidade daquilo com o que estão lidando. Ninguém vai ao engenheiro eletricista perguntar se pode colocar, por exemplo, três adaptadores em uma só tomada para ligar diversos equipamentos, mas não sabem que dessa forma podem causar um incêndio. Obviamente, há também as razões de ordem econômica. As pessoas tentam economizar, fazendo tudo por conta própria, mas acabam correndo riscos por conta disso.

8. Qual o seu conselho?

Toda e qualquer intervenção em edificações deve ser realizada com orientação de profissionais habilitados, assim como se deve fazer com a saúde. Só tome remédios depois de receber a devida  orientação de um médico!


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