Os perigos da “automedicação” de edificações
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Portal Revista Infra - quinta-feira, setembro 21, 2017
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Os perigos da “automedicação” de edificações
Apontados pelo IBAPE de São Paulo

Flavio F. de Figueiredo*

No âmbito da saúde, uma prática muito observada no Brasil é a automedicação. Para resolver um problema, a pessoa se dirige à farmácia e, sem prescrição médica, adquire os medicamentos que, em seu entendimento, irão aliviar os incômodos que a afligem.

São cada vez mais difundidas as consequências graves que a automedicação pode trazer para quem a pratica. Dentre outros efeitos negativos estão a ocultação de sintomas e a combinação inadequada de drogas.
As edificações também sofrem exatamente do mesmo problema: são “automedicadas” por seus usuários. Basta que se troque a palavra farmácia por loja de materiais de construção e se substitua receita médica por projeto e especificação e se estará face-a-face a inúmeras tentativas empíricas de se solucionar manifestações indesejáveis nos mais diversos tipos de construções.

São observadas “automedicações” em todos os tamanhos, tipos e padrões de imóveis. Do mais simples barraco ao escritório em edifício de alto padrão, nenhuma construção está imune a essa terrível prática.
São exemplos de automedicação encontrados com muita frequência:
-Trocar disjuntores por outros com maior amperagem, quando os originais desarmam com frequência em razão de excesso de carga;
- Esconder trinca ou bolor com papel de parede;
- Aplicar argamassa em peças de concreto armado, sem critério técnico definido, para encobrir armaduras oxidadas;
- Ocultar marquises ou outras estruturas em concreto armado deteriorado atrás de belas fachadas decorativas, em vidro ou alumínio, por exemplo;
- Emendar tubulações com fitas adesivas ou massa plásticas.

Essas providências podem até afastar dos olhos manifestações patológicas não agradáveis, mas não eliminam suas origens. Muitas vezes as patologias são até agravadas ou continuam a se desenvolver de forma oculta e, de um momento para o outro, se manifestam com intensidades tão relevantes a ponto de levar a construção à ruína. À morte.

Cabe ressaltar que as manifestações patológicas não ocultadas podem funcionar como indicadores das reais condições de segurança, além de fornecerem pistas para o diagnóstico de sua origem, outra razão para não serem escondidas.
Ainda usando a analogia com a medicina, edificações também são vítimas do uso de vitaminas e anabolizantes não prescritos.

De um simples benjamim, para ampliar a quantidade de tomadas em um ambiente, à colocação de caixas d’água adicionais, ou até a construção de pavimentos extras sem quaisquer projetos e análises, nossas construções são submetidas a muitas intervenções que podem equivaler a doses letais de suplementos hormonais.
Neste cenário, deve se estar sempre muito atento com as intervenções feitas nas edificações, pois a falta de corretas prescrições, ou a realização de intervenções sem respeitar a boa técnica, pode ter consequências graves, tanto para os edifícios, como para seus usuários.

*Conselheiro do IBAPE/SP – Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia de São Paulo e Diretor da Figueiredo & Associados Consultoria

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