Vale do Silício inspira modelo para cidades sustentáveis
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Portal Revista Infra - domingo, novembro 19, 2017
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Vale do Silício inspira modelo para cidades sustentáveis
Tema será abordado em palestra que acontecerá na Expo Arquitetura Sustentável em SP

A tecnologia como aliada da sustentabilidade é uma proposta que vai além de aplicativos, softwares ou produtos. Recentes estudos mostram que o ambiente onde se produz tecnologia tem ampla sinergia com a construção sustentável. “Ambientes com alta concentração de pessoas criativas crescem mais rapidamente e atraem mais gente de talento, conforme vêm demonstrando os estudos de Richard Florida acerca das cidades criativas. Metrópoles com clusters de alta tecnologia contêm maior número de pessoas de talento do que outras. Talento, tolerância e diversidade são os ingredientes indissociáveis no crescimento destas metrópoles que lideram o ranking de cidades criativas”, é o que explica o urbanista Carlos Leite, professor da FAU-Mackenzie, com pós-doutorado pela Universidade Politécnica da Califórnia e autor de Cidades Sustentáveis, Cidades Inteligentes (Bookman, 2012), que ministrará a palestra “Os Vales do Silício brasileiros: oportunidades para o desenvolvimento urbano inteligente” na Expo Arquitetura Sustentável, evento inédito no Brasil que apresenta todos os selos mundiais da certificação sustentável.  De 26 a 28 de agosto, o evento abriga conferência, feira de produtos e serviços sustentáveis, rodada de negócios e visitas técnicas a empreendimentos sustentáveis.

Hoje a inteligência territorial, nas grandes urbes - que apresentam maior densidade populacional - está firmada em que principais pilastras?

Carlos Leite: As metrópoles contemporâneas compactas, densas, vivas e diversificadas, propiciam maior desenvolvimento sustentável, concentrando tecnologia e gerando inovação e conhecimento em seu território. Elas são o grande desafio estratégico do planeta neste momento e suas maiores oportunidades. São os motores do desenvolvimento no século do conhecimento e dos serviços avançados. Tais cidades têm investido pesadamente na regeneração de suas áreas centrais improdutivas e esvaziadas, valendo-se de clusters tecnológicos como estratégia de alavancagem de amplos processos de recuperação urbana e reestruturação produtiva do território. Metrópoles com clusters de alta tecnologia contêm maior número de pessoas de talento do que outras. Talento, tolerância e diversidade são os ingredientes indissociáveis no crescimento destas metrópoles que lideram o ranking de cidades criativas.

A sua tese versa que temos um metabolismo urbano do século 21, operando em um modelo urbano do século 20. Como enfrentar esse descompasso urbanístico?

Carlos Leite: Vivemos em cidades difusas e mono funcionais que demandam muitos e enormes deslocamentos em nosso dia-a-dia: deslocamentos excessivos decorrentes de um modelo exaurido onde moradia, trabalho e lazer estão desconexos. Têm-se o modelo do Século 20 - “crescimento com esgotamento”: as cidades cresceram sem planejamento e ordenamento e na maioria delas vive-se no caos da falta de mobilidade e segurança urbana, para citarmos os dois problemas mais urgentes nas cidades brasileiras. O modelo de ocupação adotado nas cidades norte-americanas a partir dos meados do século 20 - bairros planejados típicos, American suburbs - encontra-se em esgotamento. O motivo é o desperdício de recursos gerado pelos grandes deslocamentos e dependência do automóvel para execução de tarefas diárias e idas até o trabalho, além da ocupação excessiva de território, eliminando espaços verdes.

Uma rede eficiente de mobilidade urbana consiste em quais condições basicamente?

Carlos Leite: Tem sido consenso internacional a opção pelos parâmetros advindos da cidade compacta: modelo de desenvolvimento urbano que otimiza o uso das infra estruturas urbanas e promove maior sustentabilidade – eficiência energética, melhor uso da água e redução da poluição, promoção de relativamente altas densidades de modo qualificado, com adequado e planejado uso misto do solo, misturando as funções urbanas (habitação, comércio e serviços). Esse modelo é baseado num eficiente sistema de mobilidade urbana que conecte os núcleos adensados em rede, promovendo maior eficiência nos transportes públicos e gerando um desenho urbano que encoraje a caminhada e o ciclismo, além de novos formatos de carros (compactos, urbanos e de uso como serviço avançado).

Quais os benefícios que advém dela?

Carlos Leite: A população residente tem maiores oportunidades para interação social, bem como melhor sensação de segurança pública, uma vez que se estabelece com mais propriedade o senso de comunidade - proximidade, usos mistos, e calçadas e espaços de uso coletivo vivos - que induz a sócio diversidade territorial - uso democrático e por diversos grupos de cidadãos do espaço urbano. Cidades com bons sistemas de transporte público e que têm evitado a sua expansão desmedida, apresentam menores níveis de emissões de gases estufa por pessoa do que cidades que não têm essas condições.

Poderia sintetizar os conceitos e efeitos de TND (Traditional Neighbourhood Development) e TOD (Transit Oriented Development) que tratam do desenho tradicional de vizinhança e de transporte, respectivamente?

Carlos Leite: Os novos territórios desenvolvidos em alinhamento aos novos paradigmas do urbanismo sustentável e do novo urbanismo, tanto intra quanto  extra-urbanos, devem incorporar os princípios básicos advindos das novas tendências de urbanismo em suas comunidades planejadas:

• Uso misto e diversificado;
• Núcleos compactos: densidades variadas e qualificadas;
• Diversidade de tipologias residenciais;
• Senso de comunidade e urbanidade: espaços geradores de convivência rica e dinâmica;
• Preservação ambiental das áreas naturais e espaços abertos não construídos;
• Desenvolvimento em forte conectividade com as comunidades existentes (cidades e bairros);
• Mobilidade diversificada com prioridade ao pedestre e não dependente do carro;
• Governança participativa na gestão do bairro;
• Sócio diversidade territorial;
• Planejamento regional: desenvolvimento equilibrado de novas centralidades em rede com adequada conectividade;
• Desenvolvimento Orientado Pelo Transporte (DOT);
• Transecto Urbano.

Como vê a realização de uma feira voltada ao setor de construção como a Expo Arquitetura Sustentável (EAS)? E quanto aos debates de temas pontuais, que benefícios deverão trazer?

Carlos Leite: A EAS tem um papel relevante na divulgação de cases e conceitos novos, concentrando em um evento as melhores referências de desenvolvimento sustentável, na escalas da arquitetura e do urbanismo. No nosso caso apresentaremos dois aspectos de destaque:

“Novo Modelo de Desenvolvimento Urbano paraAlphaville - Tamboré e Região” e “Os conceitos de Inteligência Territorial e Desenvolvimento Urbano Sustentável, como agregador de valor nos setores público e privado e como isto está fazendo lugares mais criativos e inovadores despontarem no mundo e no Brasil” (mostraremos o caso do território do “Triângulo de Ouro Paulista”).

Serviço:

Expo Arquitetura Sustentável – Feira Internacional de Construção, Reforma, Paisagismo e Decoração.

Data: 26 a 28 de agosto de 2014
Local: Expo Center Norte, Pavilhão Vermelho - São Paulo - SP
Horários: Exposição: 11h às 20h / Conferência: 9h às 18h

www.expoarquiteturasustentavel.com.br

 

 


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