Aquecimento solar
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Portal Revista Infra - segunda-feira, dezembro 10, 2018
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Aquecimento solar
Crescimento do setor depende de ações conjuntas, diz presidente do DASOL
Atuando há 34 anos no setor de sistemas de aquecimento solar de água, o empresário Amaurício Gomes Lúcio (foto) é o novo presidente do DASOL - Departamento Nacional de Aquecimento Solar da ABRAVA.

Ao longo dessas três décadas, ele participou da evolução do produto e do crescimento do mercado no Brasil, conheceu as principais tecnologias desenvolvidas no exterior e olha para o futuro do setor com otimismo, desde que políticas públicas sejam implementadas em parceria com a iniciativa privada.

De formação e vivência técnica, nesta entrevista Amaurício Gomes traça um amplo cenário dos Sistemas de Aquecimento Solar - SAS - no país.

O produto brasileiro é tecnologicamente competitivo?
O Brasil historicamente domina a tecnologia de projeto e fabricação de aquecedores solares, buscando no exterior apenas os bens de produção e, eventualmente, parcerias estratégicas para desenvolvimento de novos mercados. Cada país possui sua própria versão, adequada às condições climáticas locais. Dizer que o coletor solar importado é melhor do que o brasileiro depende do ponto de vista: sob o aspecto técnico, sim, porém, o mesmo produto (importado) colocado no Brasil tem relação custo/benefício desfavorável. Um dos motivos é porque temos muito mais horas por dia e maior número de dias ensolarados por ano do que a Alemanha ou a Áustria, por exemplo. O produto usado naqueles países precisa ter uma eficiência térmica superior para aproveitar o pouco tempo de sol de que dispõem. Se instalado aqui, esse equipamento vai aquecer mais e rapidamente. Mas, no final do dia, quando a água quente é mais exigida para o banho, haverá uma equivalência em relação aos resultados propiciados pelo produto nacional, que é mais barato. É como usar um canhão para matar um mosquito.

Por que o coletor importado é mais eficiente?
A eficiência energética dos coletores depende, basicamente, do absorvedor - a base preta vista através do vidro, responsável por cerca de 90% da eficiência do produto. Entre outras funções, o vidro protege os materiais internos do equipamento, promovendo o efeito estufa internamente. A qualidade do vidro interfere na melhoria do rendimento do coletor: quanto mais transparente, mais radiação vai penetrar. Já o projeto térmico do absorvedor envolve materiais e espessuras. É produzido em cobre ou alumínio e recebe um tratamento especial em sua superfície para uma melhor absorção dos raios solares. No Brasil, é pintado de preto com tinta de boa qualidade. A Alemanha evoluiu para um tratamento chamado 'seletivo', ou seja, uma deposição química - preta ou azul - sobre a chapa, que aumenta a absorção da energia solar. Nos dois casos, a maior parte da é absorvida, mas uma parcela é refletida (definida como perda). A pintura preta reflete no mesmo comprimento de onda que chegou. Já o tratamento seletivo tem a característica de mudar o comprimento de onda refletido, que bate no vidro e volta para o absorvedor, e com isso consegue absorver entre 10% e 15% a mais.

A indústria brasileira poderia produzir produto similar?
Sim, claro, não há qualquer complexidade. Mas, com exceção de edificações que dispõem de áreas mínimas para instalação do sistema e que, portanto, vão exigir coletores com maior eficiência e mais caros, o produto nacional responde à altura à absoluta maioria dos casos, às condições climáticas, de resultados e com custo/benefício superior. No caso dos prédios verticais em que há pouca área disponível, o ideal é que o projeto de aquecimento solar nasça junto com o projeto arquitetônico, etapa em que todas as soluções são planejadas. Em Belo Horizonte, onde há cerca de 2800 prédios com SAS - certamente, a capital mundial do solar -, os arquitetos construíram uma cultura e sabem o que fazem. A solução tem sido instalar os coletores sobre as coberturas dos edifícios e é raro não conseguir área para colocar.

Por que São Paulo resiste?
A resistência à tecnologia que se verifica em São Paulo se justifica, em parte, porque os terrenos são muito caros e as construções cada vez mais verticalizadas, deixando áreas mínimas na cobertura. Mas o problema é basicamente cultural, não é técnico. Ele se torna um problema técnico quando a decisão de implantar o solar é tomada tardiamente, com a obra em andamento ou já pronta. Essa mudança na capital paulista provavelmente virá por uma exigência econômica dos compradores dos apartamentos, e por uma consciência ambiental visivelmente crescente da população. A tentativa de mudar a cultura através da obrigatoriedade legal não trouxe os resultados esperados. Se as empresas não conseguem oferecer edifícios com a totalidade da água aquecida por solar, então que, pelo menos, atendam a lei e atinjam os 40% das necessidades de água quente com a tecnologia de aquecimento solar.

Nas unidades do Minha Casa, Minha Vida, quem instala o SAS?
Por enquanto, os fabricantes instalam, mas com o aumento da demanda, não terão mais condições de realizar todas as instalações - e essa não é a função deles. A mão de obra para se instalar um aquecedor solar não exige profissionais com qualificação extrema, porém é necessário treinamento. Como as casas do 'Minha Casa, Minha Vida' são padronizadas, a partir do momento em que se instalar o primeiro aquecedor é só repetir o mesmo procedimento nas demais casas. A qualificação torna-se necessária quando são utilizadas soluções diferentes.

Qual a posição do DASOL sobre a etiquetagem obrigatória do SAS pelo Inmetro?
A etiquetagem foi uma demanda que a ABRAVA buscou como forma de qualificar o mercado e diferenciar os produtos. Até então, não existia nenhum tipo de comparação técnica. Como a etiquetagem para produtos de aquecimento solar é voluntária, alguns produtores aderiram e outros não. Esse processo se deu paralelamente à imposição do Inmetro de etiquetagem compulsória de produtos que envolvem segurança, como geladeira e fogão. Com o surgimento da lei de eficiência energética, todo produto comercializado no Brasil tem que respeitar um consumo máximo de energia. Devido à longa fila de produtos com certificação compulsória, a obrigatoriedade demorou um pouco para chegar aos aquecedores solares. Com o interesse do governo, do mercado, da associação e dos fabricantes a etiquetagem dos solares passará à compulsória, o que vai regulamentar, e muito, o setor.

A criação de norma técnica brasileira ajudou nesse sentido?
De fato, não existia uma norma brasileira. O setor utilizava um mix da normativa americana com a europeia, focadas em eficiência. A norma nacional foi elaborada em 2009 e criou novos ensaios. A parte de eficiência não mudou muito, porém agora temos os critérios que verificam a durabilidade. O coletor deve ser eficiente durante um bom tempo - em média, a vida útil de um coletor é estimada em 20 anos. O solar é um investimento que valoriza o imóvel, mas sai mais caro que uma solução convencional, e para ser viável precisa dar retorno durante o tempo em que é utilizado.

Coletor e reservatório são etiquetados?
A etiqueta vale para os produtos que compõe o sistema e não para o conjunto todo. Além da etiqueta do Inmetro, no caso dos coletores classificados como "A", recebem também o Selo Procel/Eletrobras. Quando o produto é classificado como 'D' não quer dizer que este não tenha qualidade, mas que é menos eficiente. No caso do reservatório, não existe uma etiqueta comparativa. Ou ele passa no teste e é 'etiquetado' ou então é reprovado e não a recebe. Se ele passou e com um bom índice de isolamento (baixas perdas), ele também tem o direito de usar o selo do Procel/Eletrobras.

Indústria e laboratórios estão preparados para a compulsoriedade?
Os laboratórios precisam se adaptar e a indústria mudar o projeto do produto para submetê-los aos ensaios. Se não fosse por isso, provavelmente a etiqueta já seria obrigatória. Daí o prazo de dois anos de carência previsto pelo Inmetro. E como o aquecedor está entrando em quase um milhão de casas do programa 'Minha Casa, Minha Vida', o governo quer que os produtos instalados tenham qualidade comprovada.

O setor atingirá a meta de 15 milhões de metros quadrados de coletores instalados no país até 2015?
Para atingir uma meta, precisam ser planejadas e executadas determinadas ações. Até agora, foi estabelecida uma meta de 15 milhões de aquecedores, porém só a indústria está trabalhando. Tirando o 'Minha Casa, Minha Vida', nada mais foi feito. Portanto, a meta não será cumprida, não por problema da indústria, mas por todo um trabalho que tem de ser feito. Para resolver os gargalos, são necessárias três ações: capacitação para instalação, financiamento - porque é uma solução mais cara do que a convencional - e divulgação, já que culturalmente o brasileiro não tem no solar sua primeira opção. Estes três pontos precisam de ações conjuntas envolvendo governo e iniciativa privada.


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