Arquitetura pode ajudar no controle de infecções hospitalares
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Portal Revista Infra - terça-feira, agosto 22, 2017
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Arquitetura pode ajudar no controle de infecções hospitalares
27/03/12 - Pesquisa realizada pelo Cremesp, em 2010, revela que 7,67% dos hospitais não dispunham de uma Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH), o que é obrigatório pela Lei 9.431/1
A Associação Nacional de Biossegurança (Anbio) divulgou um estudo no qual informa que cerca de 100 mil pessoas morrem, ao ano, no Brasil, vítimas de infecções adquiridas nos serviços de saúde. Segundo a  Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), os índices de contaminação em estabelecimentos de saúde devem ser de no máximo 5%, mas atualmente o número está em torno de 15%.

A arquitetura e a engenharia podem ser grandes aliados no controle da proliferação de microrganismos em hospitais, de acordo com Fábio Bitencourt, presidente da Associação Brasileira para o Desenvolvimento do Edifício Hospitalar (ABDEH). Fábio destaca a pesquisa "O controle da infecção hospitalar no Estado de São Paulo", realizada pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), em 2010, que revela que 7,67% dos hospitais não dispunham de uma Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) implantada, o que deveria ser obrigatório, de acordo com a Lei 9.431/1997.

Outro ponto importante foi a exposição da não existência de um programa de prevenção e controle de infecção hospitalar, formalmente elaborado e executado, em cerca de metade das instituições avaliadas. Segundo o estudo, diversas instituições de saúde no Brasil convivem com graves problemas estruturais, como falta de pias e lavatórios, revestimentos de piso, paredes e teto inadequados, fluxos incompatíveis, principalmente em UTIs e Centros Cirúrgicos. "Esses problemas contrastam com a atual necessidade dos hospitais de estarem preparados e produzirem um ambiente seguro para os pacientes. Com doenças cada vez mais complexas e graves, esse é um desafio para quem lida com os ambientes de saúde", explica Bitencourt.

Segundo recomendação da OMS - Organização Mundial da Saúde, o procedimento mais importante e barato para evitar a transmissão de infecções relacionadas à saúde é a correta higiene das mãos nos estabelecimentos de saúde, tanto para os profissionais quanto para pacientes e visitantes. A Anvisa, em conjunto com o Ministério da Saúde, publicou este mês um relatório sobre "Autoavaliação para Higiene das Mãos (HM)", destacando os principais fatores relacionados com a baixa adesão à HM em serviços de saúde do Brasil, cerca de 40%. Entre eles estão: ausência de lavatórios e pias, deficiência de insumos como sabão líquido e papel toalha, falta de estímulo, falha na atitude pessoal, presença de dermatites, ressecamento ou outras lesões de pele, falta de exemplos por parte de colegas e superiores e capacitação insuficiente.

O relatório contou com a participação voluntária de 901 serviços de saúde e foi disponibilizado no site da Anvisa, entre 4 de maio e 31 de dezembro de 2011. Na totalização da HM, o estudo observou que apenas 9,65% das instituições estão no nível avançado, 34,29% no nível intermediário, 45,4% das instituições estão classificadas no nível básico e 10,65% estão classificadas no nível inadequado.

Para Fábio Bitencourt, presidente da ABDEH, o trabalho do profissional de saúde será fundamental na hora de especificar o lugar correto para colocar o lavatório, a torneira, o porta-sabão e o porta-papel, entre outros recursos físicos para atendê-lo. "De nada adianta a obra e os equipamentos, se a equipe de assistência não tem a consciência e a informação de que a higienização das mãos é um dos mais eficientes atos no controle de infecção", ressalta.
"Quando analisamos a infraestrutura hospitalar é preciso pensar desde a escolha do terreno até no piso adequado para se colocar na sala de cirurgia. Essas medidas serão aliadas nos procedimentos das equipes de saúde no combate das infecções", explica o arquiteto Flávio de Castro Bicalho, autor do livro "A arquitetura e engenharia no controle de infecções" (editora Rio Books, 2010).

"Um equívoco muito comum é não pensar numa barreira de separação entre a roupa suja e a limpa, dentro da lavanderia de um hospital. Outro erro é deixar de instalar duas ou mais caixas d'água em funcionamento rotativo. Enquanto uma é usada, a outra está sendo higienizada para entrar em operação na sequência. Sem essa manutenção preventiva, o equipamento pode ocasionar uma série de contaminações na água", completa Bicalho. O arquiteto também ressalta o controle de qualidade do ar, principalmente em hospitais, onde cada área pode ter uma necessidade específica.

"Essas soluções, em conjunto com os procedimentos dos profissionais de saúde, contribuem para que os índices de infecções nos estabelecimentos assistenciais de saúde (EAS) estejam dentro dos níveis aceitáveis. O trabalho dos arquitetos e engenheiros que lidam com o ambiente hospitalar visa minimizar os riscos ou preveni-los quando houver a chance", finaliza Bicalho.
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