Espaços coletivos crescem e se diversificam no Brasil

O ambiente de trabalho é um deles

Por Tiago Alves*

Conteúdo publicado em 22 de março de 2019

Nos últimos anos, temos mudado a forma como pensamos setores inteiros, nas grandes cidades: o entretenimento audiovisual passou pela transformação on demand, músicas podem ser acessadas via streaming de inúmeras plataformas, o deslocamento urbano vive o conceito de "carona remunerada", entre outros serviços que chegam a todo momento para modificar nosso dia a dia. O desenvolvimento da tecnologia é a protagonista dessas mudanças e tem revolucionado as nossas vidas em diversos aspectos.

O ambiente de trabalho é um deles. Os escritórios estão mudando e os resultados disso têm transformado a experiência de trabalho de muitas pessoas. Para empresas que estiverem dispostas e suas atividades permitirem operar em novos modelos, essa é uma alternativa que pode gerar vantagem competitiva, reduzir custos e ajudar na atração e manutenção de talentos.

Exemplo disso são os espaços compartilhados, que chegaram no Brasil após se popularizarem nos Estados Unidos e na Europa - cidades como Barcelona e Nova York são expoentes dessa tendência.

De acordo com o Censo Coworking Brasil, em 2016, foram registrados 378 escritórios operando no modelo de espaço compartilhado de trabalho. Em 2017, o número subiu para 810 e, em 2018, para 1.194.

Entre os benefícios desses espaços estão maior produtividade, menores despesas gerais e horas economizadas em deslocamento. De acordo com um modelo de crescimento acelerado, que estabelece um cenário que faz uso do trabalho flexível em maior grau que o atual, o corte no deslocamento proporcionado pelo trabalho remoto pode economizar 3,53 bilhões de horas até 2030.

O País também registrou crescimento em outras áreas da chamada "economia compartilhada", como os coliving. A modalidade permite que os moradores aluguem quartos com banheiros privativos, mas dividam as áreas comuns com os outros habitantes do local, incentivando o convívio, a aproximação entre as pessoas e a troca de experiências.

No Japão, por exemplo, o conceito de moradia compartilhada já é bastante comum. Criado em Nagoya, pela empresa Naruse Inokuma Architects, o projeto LT Josai possui 13 quartos individuais de 12 m² e áreas de convivência como cozinha, banheiros e salas de estar e jantar.

No Brasil, outra forma de partilha que vem ganhando força é a da multipropriedade, que se caracteriza pela aquisição de um imóvel de forma compartilhada, dividindo-o com outros coproprietários. Assim, cada comprador usa sua cota de tempo para usufruir da propriedade durante determinado período do mês ou do ano, em rodízio. O texto de Lei n. 13.777/18 que trata sobre o tema já foi aprovado pelo Congresso Nacional e sancionado pelo então presidente Michel Temer.

*Tiago Alves é CEO da Regus e Spaces no Brasil.

Clique aqui e confira o conteúdo na íntegra.