A lição do Colégio Renascença

Instituição implanta, em São Paulo, laboratório de energias renováveis e teto verde produtivo

Notícia publicada em 9 de outubro de 2018

De eletrônicos ao lixo orgânico, o programa multidisciplinar do Colégio Renascença, em São Paulo, está mudando a relação dos estudantes com o meio ambiente. Em um mês eles deixaram de enviar 6,1 kg de CO2 à atmosfera. Com iniciativas que incluem a permacultura e a produção de Biocombustíveis, o Programa Rena Sustentável começou com um minhocário para realizar a compostagem de restos de alimentos que antes iriam direto para o lixo e implantou um teto verde produtivo.

O programa envolve todos os alunos, da Educação Infantil ao Ensino Médio, e é coordenado pela professora Fátima Primon, Coordenadora de Ciências Naturais. O intuito é sensibilizar os alunos em relação às questões ambientais, vivenciando as práticas da sustentabilidade mais de perto e aprendendo sobre a preservação do meio ambiente e o uso de recursos naturais renováveis.

As famílias também podem colher os frutos do trabalho dos alunos que terão a oportunidade de levar para caso o adubo produzido na escola ou descartar na escola aparelhos eletrônicos sem uso ou quebrados, para que não poluam o meio ambiente.

Teto Verde

Um setor do 3° andar da sede do Renascença, na Barra Funda, foi transformado em teto verde produtivo de acordo com os princípios da permacultura. Do Ensino Infantil até o Ensino Médio, cada segmento efetuará plantios e depois acompanhará determinado grupo de plantas.

Os plantios são setorizados, desde o Jardim dos Sentidos, que conta com diversos temperos com cheiros e texturas diferentes; plantas medicinais; Plantas Alimentícias Não-Convencionais (PANCS) - que também evitam pragas e ajudam no controle de todo ecossistema.

Já os alunos mais velhos trabalharão com grupos em estufa e plantas bioindicadoras para estudar os impactos da poluição. "Como estamos próximos à Marginal Tietê, onde há uma frota pesada de automóveis, o nosso teto verde contará com plantas bioindicadoras de poluição que serão acompanhadas pelos alunos do 9° ao 2° ano do ensino", conta a coordenadora do projeto.

Laboratório de renováveis

Além de trabalhar com a pesquisa sobre poluição atmosférica, os estudantes do Colégio também terão à disposição um laboratório de energias renováveis. "Estamos preocupados em aplicar conceitos de sustentabilidade em todo o nosso ambiente, aproveitando toda espécie de resíduo gerado para produzir energia limpa", diz a Coordenação do programa.

Segundo a instituição, os professores pautam suas práticas numa abordagem envolvendo relações CTSA (Ciência-Tecnologia-Sociedade-Ambiente), instigando os educandos a buscar alternativas para suprir demandas energéticas locais com menor impacto ao meio. Os projetos estão dirigidos inicialmente à produção de biocombustíveis e aproveitamento da energia solar, ocorrendo inserção de outras modalidades de energia conforme composição de linhas de pesquisa nascidas nas aulas de iniciação científica e monografia. 

Biofertilizante

Os restos de alimentos que antes eram jogados no lixo agora são enviados ao minhocário que faz a compostagem dos resíduos orgânicos e produz o biofertilizante que o jardineiro do colégio já utiliza para cuidar do solo. Semanalmente são 8 litros de biofertilizante produzidos e, em breve, terá o húmus - considerado o mais completo adubo sólido para plantas, inodoro, rico em macro e micronutrientes essenciais para as plantas. Em breve, o húmus produzido pelo minhocário do colégio também poderá ser enviado para as famílias dos alunos para que utilizem o adubo também nas plantas de casa.

Lixo eletrônico

O novo modelo de consumo da sociedade produz ainda o lixo eletrônico. O Renascença firmou parceria com a Coopermiti, cooperativa especializada na reciclagem desse tipo de material, e terá agora um container permanente para coletar objetos eletrônicos quebrados ou sem uso - desde brinquedos, como videogames, até utensílios domésticos, como torradeiras, secadores de cabelo, pilhas ou baterias.

A cooperativa montou um museu na escola que contou com objetos que a maioria nunca havia entrado em contato - como máquinas de datilografia, vitrolas, discos de vinil, Atari, entre outros. Na ocasião, além do resgate da memória houve discussão voltada à conscientização ambiental, na direção do descarte incorreto de resíduos eletroeletrônicos. Esses materiais podem liberar substâncias como Mercúrio, Cádmio, Cobre, Cromo, entre outros que, caso dispostos em aterros não licenciados e controlados, podem contaminar o solo e atingir o lençol freático, causando grande impacto à natureza.