Data center submarino entra em operação

Ideia de submergir servidores no fundo do mar visa economizar energia com resfriamento

Data center é preso a uma base triangular de lastro que fica no fundo do mar (Foto: Scott Eklund/Red Box Pictures)

A Microsoft anunciou na última terça-feira (5 de junho) que o seu primeiro data center submarino entrou em operação. A empresa vinha trabalhando nesse projeto conhecido como Natick há muitos anos, mas, até agora, só havia feito testes com máquinas experimentais. O data center que a empresa submergiu na costa da Escócia é o primeiro a se integrar de fato à sua estrutura comercial de computação em nuvem.

O equipamento colocado no fundo do mar conta com 12 conjuntos com um total de 864 servidores, os quais precisam de cerca de 1 megawatt de eletricidade para funcionar. Toda a energia que utilizam para funcionar vem de fontes renováveis, como produção solar, eólica e até gerada através das ondas do mar.

Ele foi montado e testado na França, e levado em um caminhão-plataforma para a Escócia, onde foi anexado a uma base triangular de lastro para ser implantado no fundo do mar. No dia da implantação, os ventos estavam calmos e o mar se achatava sob uma espessa camada de neblina, cita o texto de John Roach, que escreve sobre Pesquisa e Inovação na Microsoft.

Segundo ele, o data center foi rebocado para o mar parcialmente submerso e suspenso por guinchos e guindastes entre os pontões de uma barcaça de pórtico tipo catamarã. No local da implantação, um veículo operado remotamente recuperou um cabo contendo fibra ótica e fiação de energia do fundo do mar e o levou até a superfície onde foi verificado e conectado ao data center, e ele foi ligado.

A tarefa mais complexa do dia foi baixar, passo-a-passo, o data center e o cabo de 35 metros até o leito rochoso do mar. A tripulação marinha utilizou dez guinchos, um guindaste, uma barcaça de pórtico e um veículo operado remotamente que acompanhou o data center em sua jornada.

Assim que chegaram ao fundo do mar, os grilhões foram soltos, cabos de guincho foram levados para a superfície e o controle operacional de Northern Isles passou para a estação costeira.

A equipe do Projeto Natick reúne-se em uma barcaça amarrada a uma doca nas Ilhas Orkney, na Escócia, em preparação para implantar o data center no fundo do mar. Da esquerda para a direita, Mike Shepperd, engenheiro sênior de P&D, Sam Ogden, engenheiro de software sênior, Spencer Fowers, membro sênior da equipe técnica, Eric Peterson, pesquisador, e Ben Cutler, gerente de projetos (Foto: Scott Eklund/Red Box Pictures)

A Microsoft resolveu submergir seus servidores no fundo do oceano para economizar energia com resfriamento. Assim, seus data centers consomem muito menos eletricidade, precisam de menos manutenção e se tornam mais sustentáveis. Como o fundo do mar é normalmente mais gelado que a superfície, especialmente na costa de países mais ao norte da Europa como a Escócia, a água serve como um elemento de resfriamento natural para os servidores.

Tudo o que foi aprendido com a implantação - e as operações durante o próximo ano e na eventual recuperação - permitirá aos pesquisadores medir suas expectativas em relação à realidade da operação de data centers subaquáticos no mundo real.

Engenheiros ajustam racks de servidores da Microsoft e infraestrutura de sistema de refrigeração para o data center do Projeto Natick, em Northern Isles, na unidade do Naval Group em Brest, na França. O data center tem as mesmas dimensões de um contêiner ISO de 12 metros de comprimento vistos em navios, trens e caminhões (Foto: Frank Betermin)